Começa a Conferência da ONU sobre os ODM, em Nova Iorque

Mais de 150 chefes de estado e centenas de líderes de organizações da sociedade civil, fundações e setor privado estão reunidos, de hoje (segunda, dia 20) até quarta (22/9), em Nova Iorque, para incentivar a ação coletiva contra a pobreza extrema, a fome e a doença.

A Cúpula das Nações Unidas sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) - oficialmente denominada Reunião Plenária de Alto Nível da Assembleia Geral - reune os dirigentes mundiais para que assumam um compromisso em relação a um plano de ação para implementar os oito Objetivos contra a pobreza até 2015.

O encontro, convocado pela Assembleia Geral da ONU, é presidido por Joseph Deiss (Suíça) e Ali Abdussalam Treki (Líbia) e vai acontecer imediatamente antes do seu debate anual de alto nível.

Como será a Cúpula
A sessão de abertura contará com a presença dos Presidentes da Assembleia Geral, o Secretário-geral, um representante dos Estados Unidos (como país anfitrião da ONU), o Presidente do Conselho Econômico e Social e os Chefes do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional, da Organização Mundial do Comércio, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

As reuniões plenárias seguintes - uma de manhã e outra à tarde, durante os três dias - permitirão que os dirigentes debatam de forma aprofundada temas como pobreza, fome, igualdade de gênero, saúde e educação, desenvolvimento sustentável, questões emergentes e novas abordagens, as necessidades especiais dos mais vulneráveis e o aumento e reforço das parcerias. As mesas-redondas, em que participarão representantes de ONGs, de organizações da sociedade civil e o setor privado, estão abertas apenas aos participantes. Na sessão plenária de encerramento, serão apresentados resumos das deliberações.

A Cúpula deverá ser concluída com a adoção de um plano de ação para que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio sejam implementados até 2015 e que incluirá medidas a tomar para promover avanços em relação a cada um dos Objetivos.

Atenção à saúde de mulheres e crianças
Diversos eventos especiais - nos quais participarão dirigentes da sociedade civil, de fundações e do setor privado, com frequência em parceria com Governos e organismos da ONU - deverão acontecer durante o evento, em especial sobre a saúde das mulheres e das crianças.

Em um evento especial, que acontecerá no dia 22 de setembro, entre 14h30 e 16h, o Secretário-geral Ban Ki-moon, juntamente com dirigentes de governos, fundações, ONGs e empresas, deverá anunciar uma Estratégia Mundial para a Saúde das Mulheres e das Crianças, que enunciará ações destinadas a melhorar a saúde das mulheres e das crianças e que poderão salvar 16 milhões de vidas até 2015.

"Há muito tempo que a saúde materna e infantil é a última carruagem do comboio dos ODM, mas sabemos que pode ser o motor do desenvolvimento", disse Ban. "Temos de acelerar os progressos na área dos ODM e nenhuma outra questão é capaz de contribuir mais para o êxito desses esforços".

Parcerias com o setor privado
No dia 22 de setembro, o Secretário-geral presidirá também um Fórum do Setor Privado que reunirá CEOs, governos e sociedade civil e durante o qual serão destacadas as ações que o setor privado pode realizar para impulsionar os avanços na consecução dos ODM. Serão anunciadas novas parcerias de apoio aos Objetivos.

No último dia da Cúpula (22/09) haverá, como acontecimento paralelo, uma sessão de alto nível da Assembleia Geral sobre biodiversidade.

Assista à assembleia ao vivo pela internet: www.un.org/webcast (ATENÇÃO: fuso nos EUA -4h em relação ao Brasil)

O Brasil na reunião
O fato de o Brasil ter retirado 27,3 milhões de cidadãos da faixa da pobreza extrema, no período de 1990 a 2008, vai ser exemplo na reunião. O destaque da experiência brasileira está nas parcerias entre os órgãos públicos e privados. A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, vai detalhar os programas de transferência de renda executados no país.

Na última terça-feira (13), a organização não governamental (ONG) ActionAid, divulgou o relatório ‘Quem Realmente Está Combatendo a Pobreza?', analisando as ações desenvolvidas em 28 países para combater o problema. Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil lidera o ranking que mede o progresso de países em desenvolvimento na luta contra a pobreza.

A ONG considerou o desempenho dos países em categorias, como presença de fome, o apoio à agricultura em pequenas propriedades e a proteção social. O Brasil é seguido pela China e pelo Vietnã. Em último na lista está a República Democrática do Congo.

Acelerar avanços
Dez anos depois que os dirigentes mundiais se comprometeram a implementar os Objetivos da Declaração do Milênio - e faltando apenas cinco anos para a data limite para a consecução dos ODMs - a Cúpula acontece em um momento crucial para galvanizar os compromissos e acelerar os avanços.

"Não podemos desiludir os milhares de milhões de pessoas que esperam que a comunidade internacional cumpra a promessa de um mundo melhor contida na Declaração do Milênio", afirmou o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, em seu relatório Cumprir a Promessa, publicado meses atrás e que serviu de base às negociações intergovernamentais sobre o documento final da Cúpula. "Nosso mundo possui o conhecimento e os recursos necessários para alcançar os ODMs", disse Ban. "Não alcançá-los seria um fracasso moral e prático inaceitável".

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Panorama heterogêneo
Diversos países obtiveram um grande sucesso no combate à pobreza, na melhoria da escolarização e da saúde infantil, no aumento ao acesso à água potável, na intensificação do controle da malária e da tuberculose e num maior acesso ao tratamento do HIV, segundo o Relatório sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2010, o mais recente documento sobre a situação sobre os Objetivos. Estes êxitos registraram-se em alguns dos países mais pobres, o que demonstra que os ODMs são, de fato, realizáveis, quando há políticas corretas, suficiente investimento e apoio internacional.

No entanto, os progressos foram desiguais e, sem esforços suplementares, é provável que em muitos países não se alcancem vários Objetivos, diz o relatório.
. Cerca de 1,4 bilhão de pessoas continua a subsistir com menos de 1,25 dólares por dia, o limiar de pobreza definido pelo Banco Mundial.
. Aproximadamente um bilhão de pessoas sofre de fome.
. Quase nove milhões de crianças morrem, por ano, antes de fazer cinco anos.
. Centenas de milhares de mulheres morrem, todos os anos, devido a complicações na gravidez e no parto e apenas metade da população mundial tem acesso a saneamento básico.

Crises atrapalham
"A melhoria na vida dos pobres tem sido inaceitavelmente lenta e alguns avanços duramente conquistados foram erodidos pelas crises climática, alimentar e econômica", disse o Secretário-Geral.

A crise econômica de 2008 teve um impacto muito negativo no emprego e no rendimento, em todo o mundo, e reduziram seriamente a capacidade dos pobres em alimentar suas famílias, segundo o Relatório sobre os ODM 2010. Além disso, muitos países doadores, com grandes déficits em seus orçamentos e com uma dívida crescente, devido à crise econômica mundial, estão tomando medidas de austeridade. "Mas a incerteza econômica não pode ser uma desculpa para diminuirmos nossos esforços em favor do desenvolvimento", afirmou o Secretário-Geral. "Investindo nos ODM, investimos no desenvolvimento econômico mundial".

"A realização dos Objetivos é responsabilidade de todos", declarou Ban. "Ficar aquém das metas estabelecidas multiplicará os perigos do nosso mundo - desde a instabilidade às epidemias à degradação ambiental".

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