Mulheres debatem vulnerabilidade frente às DST e à aids em SP
O Nós Podemos São Paulo participou, no último dia 30 de novembro, de uma ação alusiva à prevenção da AIDS no centro de São Paulo. O evento possibilitou uma reflexão sobre a feminização da aids e a violência contra a mulher. No evento foram realizados 130 testes rápidos de HIV.
Em um debate a céu aberto sobre o assunto, a gerente de Prevenção do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, Naila Janilde Seabra Santos, afirmou que "as mulheres violentadas sexualmente não têm a possibilidade de negociar o preservativo, o que as tornam mais vulneráveis ao HIV".
Para Naila, "a feminização da aids não está ligada ao número de parceiros de uma mulher e sim a relações desprotegidas que os maridos mantêm fora do casamento".
Contaminação por parceiros únicos
Um estudo realizado por ela, entre 1983 e 1992, revelou que entre as mulheres vivendo com HIV, 43,8% relataram parceria sexual única no momento do diagnóstico e 37,2% foram identificadas como dona de casa.
A representante do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP), Maria Elisa da Silva, participou do bate-papo e contou à plateia como é viver com a doença e a importância do movimento social na luta pela garantia dos direitos dessa população. "Sou mulher, negra, tenho aids, já usei drogas e hoje luto pelos direitos das pessoas vivendo com HIV", afirmou Maria Elisa. A ativista explicou que o MNCP existe para ajudar muitas mulheres, como ela, a se fortalecer na luta contra esta doença.
As pessoas que passavam pelo local tinham a oportunidade também de cortar e lavar os cabelos e participar de oficinas sobre o uso correto do preservativo. Dos130 testes realizados, e aquelas que receberam diagnostico positivo para o vírus da aids foram encaminhadas ao serviço de saúde especializado no tratamento.
AIDS não é restrita a grupos
Para Maria Cristina Abatte, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids, "a realização de campanhas fora do âmbito da saúde atingem um público diversificado, desmistificando a ideia de que a aids é restrita a alguns grupos específicos".
Já a coordenadora do Programa de DST/Aids do Estado, Maria Clara Gianna, lembrou que "a prevenção é a mais forte arma contra as doenças sexualmente transmissíveis e o diagnóstico precoce do HIV é muito importante para que o tratamento tenha eficácia, evitando complicações e assegurando maior qualidade de vida às pessoas infectadas".
"Eventos como esse é ótimo para pessoas que não têm tempo de ir ao centro de saúde", afirmou a vendedora Magela Lima, de 28 anos. Magela fez o teste de HIV porque sempre teve curiosidade em saber como é o procedimento durante o teste. "Com todas as informações que me foram passadas decidi me prevenir e usar camisinha em todas as relações", diz. Foram distribuídos pela região oito mil preservativos.
O evento "Mulheres na Luta contra Aids e pelo Fim da Violência" é uma realização da Secretaria Estadual de Saúde, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.
(texto adaptado do original de Talita Martins, publicado no site www.agenciaaids.com.br)













