Norma ISO de responsabilidade social é lançada em versão brasileira

norma_isoDepois de lançada internacionalmente na Suíça, no começo de novembro, a Norma ISO 26000, que orientará empresas de todo o mundo sobre como direcionar seus negócios para a responsabilidade social, foi apresentada no último dia 8 de dezembro, no Brasil, em sua versão em português. A Norma deve ser a grande referência mundial para que empresas desenvolvam estratégias de governança, transparência, ética, engajamento de stakeholders, operações justas de mercado, entre outros temas. A ISO 26000 não tem caráter de certificação, ou seja, a adesão das organizações será voluntária.

O Grupo de Trabalho que se reuniu durante cinco anos, em oito reuniões plenárias, teve que vencer obstáculos sociais, culturais e econômicos para desenvolver uma linguagem que fosse aceitável a todos os países. "A primeira reunião técnica realizada na Bahia foi tão conturbada que nem os orixás ajudaram", brincou o presidente do grupo, Jorge Emanuel Cajazeira, engenheiro e gerente executivo de Competitividade e Estratégia Operacional da Suzano Papel e Celulose, durante o evento de lançamento da Norma, realizado pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas na FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. "O próximo passo é a adesão das organizações nacionais", afirmou Cajazeira.

"A negociação às vezes passa pelo jogo de palavras", afirmou. Cajazeira citou o exemplo da palavra "discriminação", discutida dentro do tema de diversidade sexual, que foi rejeitada por países muçulmanos, onde o homossexualismo não é tolerado. "Os países muçulmanos saíram da sala e não quiseram negociar. Substituímos a palavra por "relações pessoais", sem alterar o sentido do que foi proposto, e todos voltaram a discutir", contou.

Confiança no processo
Eduardo São Thiago, gerente de relações internacionais da ABNT e co-secretário do Grupo de Trabalho Internacional da ISO 26000, que também esteve presente no lançamento brasileiro da Norma, destacou que o mais importante do resultado obtido foi o processo para se chegar até ele. "A chave é o processo, porque as pessoas só decidem a favor se tiverem confiança nele. A Norma não é melhor do que o caminho por trás dela", afirmou. No processo realizado neste caso, São Thiago destacou o engajamento de stakeholders e a grande participação de organizações internacionais que tratam do tema responsabilidade social.

Participaram das discussões internacionais 436 especialistas e 195 observadores, representantes de ONGs, governos e dos consumidores. O texto final, depois de muita discussão, teve aprovação de 93,5% das 91 nações que participaram do processo - para que passasse a valer era necessária aprovação de dois terços. Uma quantia muito pequena, de apenas cinco países, não aprovaram o texto final da Norma. Foram eles Estados Unidos, Cuba, Índia, Argélia e Luxemburgo. A China foi a maior resistência, mas acabou mudando de ideia na última hora e aprovou o texto.

Brasil pioneiro
O papel do Brasil neste processo foi pioneiro, já que o país presidiu o Comitê Mundial da ISO de Responsabilidade Social. Para Kevin McKinley, vice-secretário geral da ISO, o Brasil é um exemplo de país e potência emergente, que quer se mostrar correto. "O que espero é que vocês comuniquem seus avanços para que as pessoas olhem para o Brasil e digam que vão seguir nesse sentido", afirmou McKinley.

"É importante ressaltar o perfil dos debatedores, que não eram leigos, mas pessoas especialistas que conhecem bem o assunto e são experientes em outros eventos dessa natureza", afirmou José Salvador, gerente de novos negócios da Fundação Vanzolini e coordenador da ABNT.

 

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