Pesquisa destaca MG como exemplo na alfabetização infantil

Uma pesquisa da consultoria McKinsey sobre avanços no sistema de ensino em 20 países destaca Minas Gerais como exemplo na alfabetização infantil por fazer o que poucos conseguem no Brasil - o básico. Em 2006, a Secretaria de Educação de Minas Gerais decidiu medir a capacidade de leitura dos alunos da rede pública na faixa de 8 anos, idade considerada adequada para crianças já exibirem habilidades de ler e escrever. O resultado foi um desastre. Apenas metade dos quase 260 mil alunos avaliados demonstrou domínio adequado das letras.

Outros 20% reconheceram frases, sem estabelecer boas ligações entre elas, e 31% identificaram apenas palavras isoladas. A partir dessa constatação constrangedora, o governo mineiro montou o que Vanessa Guimarães Pinto, secretária de Educação do estado, chama de "artilharia de guerra em defesa da alfabetização no tempo certo". Foi instituída uma ampla reforma, que afetou a gestão e a forma de lecionar nas escolas públicas dedicadas aos primeiros anos de ensino.

A ofensiva parece estar surtindo efeito. Nos exames deste ano, 86% dos 330 000 estudantes avaliados mostraram desempenho adequado. Para os padrões brasileiros, trata-se de um salto considerável. Um recente estudo da Unesco, ao avaliar o desempenho de alunos da 3a à 6a séries em 16 países da América Latina, concluiu que um terço dos brasileiros não é capaz de ler além de palavras ou frases soltas. Nesse ambiente, o avanço de Minas Gerais, em tão curto espaço de tempo, impressionou.

O que Minas Gerais fez de diferente
Entre 2007 e 2009, o ensino básico mineiro deu um salto graças a uma reforma na estrutura educacional. Veja as principais medidas tomadas pela Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais. "O exemplo de Minas mostra que até sistemas de ensino mais fracos podem evoluir rapidamente quando adotam políticas adequadas", diz a economista egípcia Mona Mourshed, social da consultoria de gestão McKinsey. A McKinsey incluiu a experiência de Minas Gerais, estado que se destaca na melhoria dos indicadores de educação, no recém-lançado estudo "Como os sistemas escolares mais aperfeiçoados do mundo continuam a melhorar", coordenado por Mona. Obtido com exclusividade no Brasil por EXAME, o trabalho relata experiências de 20 sistemas de ensino utilizados em diferentes países.

A consultoria identificou como cada sistema está galgando no vos estágios de qualidade, numa escala com cinco degraus - fraco, satisfatório, bom, ótimo e excelente. "Minas Gerais exemplifica a etapa inicial da jornada", diz Marcos Cruz, sócio da McKinsey responsável pela parte brasileira do estudo. Ou seja, o sistema de educação no estado avança do fraco para se tornar satisfatório, de acordo com a escala da consultoria. A essência da reforma mineira é o Programa de Intervenção Pedagógica (PIP). Com o PIP, a Secretaria de Educação passou a orientar de perto o ensino nas escolas, até então ministrado a gosto do professor, não raro com pouco ou nenhum planejamento.

"Precisávamos recuperar o ofício de ensinar a ler e a escrever", diz a secretária Vanessa. "Ficou claro que não haveria como avançar se as escolas estivessem isoladas e distantes da secretaria." O trabalho demandou mudanças estruturais. A equipe pedagógica que opera na Secretaria de Educação, que tinha apenas oito funcionários, recebeu 52 novos professores com experiência específica em alfabetização. Eles passam 15 dias por mês percorrendo as 46 superintendências regionais com a missão de atuar como treinadores. Outros 1 200 professores espalhados pelas superintendências acompanham semanalmente o trabalho e ministram cursos nas escolas estaduais e municipais que fazem parte do projeto. O governo mineiro lançou mais de 20 publicações para instruir professores, diretores e bibliotecários sobre novas práticas de alfabetização.

O estado ainda adotou metas de desempenho para os alunos, e exames anuais atestam se elas estão sendo cumpridas. Em caso de avanço, os professores recebem prêmios de produtividade em dinheiro. Por fim, o resultado de todo o esforço é transformado em dados para nortear o rumo do trabalho.

(texto extraído da edição virtual da revista Planeta Sustentável de 15/12/2010)

> esta notícia relaciona-se ao Objetivo do Milênio 2 - Educação Básica de Qualidade para Todos

 

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