Ceará não alcançará meta de redução da mortalidade materna
O Ceará não vai conseguir alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), compromisso acordado por 191 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), no que diz respeito às metas de
. redução da razão de mortalidade materna,
. atingir a universalização do ensino básico fundamental e
. reduzir pela metade a proporção de população sem acesso permanente à água potável e esgotamento sanitário.
É o que diz o relatório ODM do Ceará 2010 divulgado, ontem, pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esse é o terceiro relatório, mas o primeiro a ser difundido. Os outros foram elaborados em 2006 e 2008.
Houve redução, mas não o suficiente
Um dos destaques do estudo é que, apesar da redução de 93,74 mães mortas para cada 100 mil nascidos vivos para 62,76 por 100 mil nascidos vivos, entre os anos de 1998 e 2007, por complicações durante a gestação ou até 42 dias após o parto, o Estado não vai conseguir alcançar a taxa de 23.44 por 100 mil nascidos vivos, que é a meta para o Ceará, até 2015.
De acordo com a médica ginecologista e diretora-geral da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), Zenilda Bruno, o problema em reduzir a mortalidade materna está na melhoria da qualidade do pré-natal. "O Ceará tem mostrado uma cobertura muito boa de pré-natal, mas a qualidade precisa melhorar. Nem todos os exames são feitos, as pessoas que realizam o acompanhamento não são qualificadas e a mulher deixa para fazer o pré-natal tardiamente. Isso tudo faz com que os riscos não sejam identificados".
Menos cesarianas e mais cuidados no pós-operatório
A médica acrescenta que para alcançar a meta é necessário reduzir o número de cesarianas. "Essa é uma forte fonte de infecção para a mulher. Além disso, o parto deve ser o mais humanizado possível". Outro problema é a falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atender as mães em caso de complicações.
Fora isso, a mãe não volta ao posto de saúde para fazer a revisão de parto. Às vezes ela tem uma infecção ou sangramento que não é tratado. Isso gera a mortalidade de muitas mães. "Precisamos evoluir na qualidade do pré-natal".
(extraído de http://diariodonordeste.globo.com)













