Seminário do CE revela índices desfavoráveis

A mortalidade materna, no Ceará, é ainda um dos pontos de maior preocupação. Os índices são bastante elevados, chegando a 82,1 por 100 mil nascidos vivos, em 2005. Esta e outras informações foram debatidas em Fortaleza, no último dia 26 de maio, durante o seminário estadual do Ceará. O seminário foi um dos 27 eventos que fizeram o 3.º Ciclo de Seminários de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que percorreu todos os estados brasileiros de 24 de abril a 24 de junho de 2010.

Segundo a médica ginecologista e diretora-geral da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), Zenilda Bruno, a redução dos números será alcançada se houver a melhoria da qualidade do pré-natal. "Isso previne a principal causa de morte entre as mulheres grávidas, que é a pressão alta".

De acordo com o coordenador de Promoção e Proteção à Saude da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), Manoel Fonseca, a implementação de 21 regionais de saúde, treinamento de profissionais, e a melhoria da cobertura do Programa Saúde da Família (PSF) foram medidas adotadas pelo Estado para alcançar a meta. "No entanto, muito ainda precisa ser feito", reconhece.

O superintendente do Banco do Brasil, Sérgio Peres, ressaltou que o trabalho de cumprir oito objetivos deve ser triplicado até 2015. Segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), quando se fala no combate à miséria e à fome, por exemplo, mais da metade da população do Ceará ainda se encontra abaixo da linha da pobreza (51,08%). Já a proporção de pessoas no Estado em situação de extrema pobreza é de 21,96%.

Para o professor de Economia e coordenador do Laboratório de Estudos Sobre Pobreza da Universidade Federal do Ceará (UFC), Flávio Ataliba, apesar de a renda do Estado ter crescido, o preocupante é que a pobreza continua por conta da desigualdade social. "Essa polarização provoca distúrbios sociais graves, como a criminalidade". Segundo ele, a solução para alcançar a meta estabelecida pela ONU é investir no combate à desigualdade, conciliando com política de aumento de renda.

 

 

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